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Segunda-feira, 21 de Março de 2011
Estilo de vida pós-enfarte

 

O meu pai tem 69 anos e vários problemas de saúde, entre os quais problemas cardíacos, diabetes e colesterol elevado. Há cerca de 12 anos teve um enfarte do miocárdio, depois disso fez um cateterismo e passado uns tempos fez um bypass e melhorou muito. Ao fim destes anos voltou a acontecer um novo enfarte, após o qual fez um novo cateterismo. Segundo o que nos foi dito, cirurgicamente, não há nada a fazer a não ser medicação. Durante as visitas noto que o meu pai está muito sonolento e perde completamente o sentido das coisas. Não há mesmo nada a fazer para melhorar o estado do meu pai?

Muitas vezes os doentes que sobreviveram a um ataque cardíaco acham que «o mal está feito, já não vale a pena fazer nada» ou «sou demasiado velho para mudar», o que não tem razão de ser, de acordo com os novos conhecimentos científicos. Em 2007 foi publicado um grande estudo, com o título Turning Back the Clock: Adopting a Healthy Lifestyle in Middle Age, que demonstrou ser possível recuar no tempo e na doença, adoptando um estilo de vida saudável. Este estudo envolveu mais de 15 000 doentes com patologia coronária (e idades compreendidas entre os 45 e os 65 anos), para avaliar o impacto da adopção de quatro mudanças no estilo de vida: comer vegetais e fruta cinco vezes por dia; fazer actividade física diária cerca de 20 minutos; manter o peso estável, com um índice de massa corporal inferior a 30 e deixar de fumar. Verificou-se uma redução da mortalidade de 40 por cento, nos quatro anos do estudo, nos indivíduos que adoptaram em simultâneo as quatro mudanças de estilo de vida.


Publicado por Prof. Manuel Carrageta às 17:43
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Cardiologista


Presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia e do Instituto de Cardiologia Preventiva de Almada, é também director do Serviço de Cardiologia do Hospital Garcia de Orta e preside ao Departamento de Formação e Investigação daquela unidade. Especializado em Cardiologia, Medicina Interna e Farmacologia Clínica, já apresentou mais de 300 comunicações escritas e publicou mais de 150 trabalhos científicos.
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